Temos o prazer de anunciar a adição do Lourenço Vales aos nossos "quadros". Com grande conhecimento em economia e empenho, estamos convictos que ele trará óptimas ideias para mobilizar o liberalismo em Portugal!
Mais uma vez assistimos à omnisciente União Europeia a velar pelo equilíbrio das nossas sociedades, cheias de tendências obstinadas, que carecem de um tutor. Se já é banal assistirmos às regulamentações caricatas diariamente, desta vez elas trazem consigo os laivos do feminismo sedento de tratamento preferencial; referimos-mos assim às quotas por género. Sendo uma das bandeiras sobejamente conhecidas nos últimos anos, sob alçada de recomendações internacionais, revela-se agora na União Europeia a ambição de punir empresas que não promovam mais mulheres nos cargos de administração de empresas.
Perante uma briga no recreio entre um filho e um outro colega, quantos de nós sairíamos de casa, de arma em punho, dispostos a aniquilar todos os filhos dos nossos vizinhos? Seria obviamente uma acção desproporcional e – a menos que um pai muito rancoroso considerasse isso racional dentro da sua percepção de valor – a maioria de nós concordará que os custos que decorrem dessa atitude seriam incomparavelmente superiores aos benefícios e a via pacífica do diálogo entre os envolvidos, seria preferível para prevenir futuros incidentes. Contudo, não é este entendimento que está subjacente às intervenções do Estado e as justificações para esforços adicionais que a democracia protagoniza estão, não raras vezes, alheias a cálculo de respeito pelas liberdades dos indivíduos.
A reforma de um sistema de pensões é um dos exemplos mais completos de como a resistência em torno de interesses comuns de um grupo forte e homogéneo pode travar ou adiar a adaptação dos serviços em modalidades adequadas às necessidades dos indivíduos, tendo em conta os recursos disponíveis e os agentes económicos mais eficientes em dado serviço. Eis que as baixas taxas de natalidade e o envelhecimento da população exercem a pressão decisiva sobre um sistema de pensões, comprovando a insustentabilidade de um entre vários esquemas de direitos adquiridos e inamovíveis devido aos cálculos racionais dos eleitores que deles beneficiam e à procura de popularidade dos executivos temporários.